terça-feira, dezembro 24, 2013

macaulay culkin

então é natal traduzo
muito esperta de uma música
do frank sinatra que toca
em algum lugar perto de
algum lembrança que insiste
em estar comigo. nesse clima
amigo oculto deduzo que
lembranças são presentes
nesses últimos dias dos
primeiros anos do milênio.

então em algum lugar sinos
tocam e há dez anos atrás isso
era realmente alguma coisa
incrível. só que hoje em dia
as crianças pensam muito se
são felizes ou não. ou eu penso
muito se as crianças são felizes
ou não desde o fim do bom desenho
animado e acho que nunca mais
fomos tão puramente felizes do
que naquele natal de mil novecentos
e noventa e
nove na rua antonio basilio
trezentos e quinze oitocentos e
dois.

hoje os parentes estão mais
enrugados e você ainda pensa
na prestação e nas parcelas
das promessas que você prometeu
cumprir e não cumpriu de um ano
para outro para outro e para outro
e elas estão sendo bastante
cobradas no fundo do óculos perto
do olho do seu tio avô que tá
mais pra lá do que pra cá
coitado.

mas quem pensa assim é
muito saudosista não é mesmo
e saudosismo é o novo manufaturado
da casa e vídeo que fica lotada
nessa época do ano pois senhoras
andam pra lá e pra cá ou
se não, apressadas e bem lentas,
saem com suas sacolas destinadas a
toda a família, desviando
do menino meio sujo que pede
algum trocado nada santo.

e se por algum momento paro
e penso nas passas separadas
do meu arroz no prato e vejo
sem querer
o nascimento de Jesus nos olhos
do meu irmão deslumbrado com
as luzes, luzes, luzes, luzes
da árvore doze vezes sem juros
das lojas americanas, lembro
que houve um tempo em que papai
noel não era dessa forma tão ingrato
e quase não sofro mais
vendo "Esqueceram de mim".

sexta-feira, dezembro 13, 2013

romantismo

olhando a rua
contando carros
ouvindo você na voz
do Roberto Carlos

muito romântica

olhando a rua
e nos intervalos
de uma ação qualquer
te imagino nos braços
de outra

muito romântica

talvez nem trair você saiba
e esteja em trapos
em casa
jogando Mario

quinta-feira, dezembro 05, 2013

dispersão

a noite, a rua, o cão
barulho de caminhão
não sei se sim, mas enfim
já to indo
porque já fui tanto
que não tem mais porque
não ir mais.

não se afobe não
nada é pra já
mas uma mensagem brilha na tela do celular
e
um poste que pisca no meio da noite
me faz sentir uma baita solidão
a maquiagem borrada, a meia calça rasgada
nada é vão, nada é vão
e vou
então
já querendo esquecer
o moço do taxi que diz que vai chover

corredor imenso dá medo
a porta entreaberta, o nosso segredo
a mesma voz que afaga,
e estas pernas bambas,
nossas transas, as lembranças,
taça de vinho tinto espatifada
no chão a almofada
de estimação
da sua avõ?

mon couer qui bat
edith piaf?
la vie en rose
me abrace, me abrace
forte
mas não se afobe não
que nada é pra já
eu que tenho pressa
já tá de manhã
o horário de verão engana
me aconchego na sua cama
e em mim toca música francesa.

sábado, novembro 23, 2013

amanhã vai ser diferente.

tava frio e eu podia ter acordado
depois do meio dia
ou talvez no meio-fio
mas acordei cedo
e tão sóbria
que podia mesmo ter acordado mais tarde
mas acordei cedo
e enrolei a seda
da camisola
na cabeceira
e depois bebi um copo
daqueles
de coca-cola (sem gás)
e esperei o tempo passar
depois de gargarejar
meu listerine
sou sempre careta
nessa hora da manhã.



Mas, amanhã, acordo tarde.

sábado, outubro 12, 2013

pouco adiantou

eu perdi muito tempo pensando em coisas que já tinham pensado antes e que hoje até ensinam a pensar como os pensadores - europeus ou americanos - que patentearam o pensamento que um dia achei que era só meu. foi tanto tempo passando que resolvi parar de pensar e comecei a honrar meu lugar abaixo, perto dos  trópicos.

só sei que sei de
porra
nenhuma.

terça-feira, agosto 13, 2013

quase um Gandhi.

Foi na quinta feira da semana retrasada que Julia esqueceu como Hugo andava. Ela esqueceu assim sem nem notar que tinha esquecido e quando foi procurar na memória, assim como quem percebe que falta um botão na  camisa (daqueles que só servem pra enfeitar, perto do pescoço) viu que não tava mais lá. Ele andava, agora, nela da maneira que viesse primeiro. Rápido, lento, manco, sorrateiro. Podia até voar baixo ou ir ligeiro. Ela esqueceu sem mais, nem menos, e até mesmo sua voz não brigava mais em ecoar tão clara. A voz dele tava distante, leve, solta, cantante. Assim mesmo. Julia só lembrava dele cantando, tão bonito... Parecia até o Chico Buarque. Ou seria o Chico Buarque? Não saberia afirmar. Ele agora pra ela estava retomando seu rumo, se tornando quase criança, ficando bem pequenininho. Desde quinta-feira, sem nenhuma explicação, sua sombra mudava a todo instante, tal como o seu sorriso, os dentes e um jeito de olhar. Ela só lembrava de fragmentos, pequenas partes que, olha a sorte!, davam chances dele ser o que quisesse ser. Ele era então mutante, super homem, super frágil, quase um Gandhi, quase um feto. Que a enchia de um amor quase mofado de tão de dentro que vinha. Um amor que vinha do estomago e que sossegava lá, no único lugar que se alimenta de frutos do esquecimento. Ele era cada vez mais dela de tão esquecido e com ela ficaria pra sempre naquela forma cada vez mais deformada de um homem que nunca foi. Do homem que ela nunca teve.


(nota: texto escrito numa madrugada do ano passado, ao som claro de Chet Baker, na folhinha tinham passagens da música "I fall in Love too Easily". Com a autocrítica em vermelho "Muito sentido pra ser bom.".) 

domingo, agosto 04, 2013

Eu te quero só pra mim.

... 

Mesmo 

que

 isso seja um pagode. 

domingo, julho 28, 2013

três pontos

... eu reticencio só para não te maiuscular.

segunda-feira, julho 01, 2013

Pé da linha

Pedalar pedalar pedalar
Pelada
Paladar
Numa brincadeira de
Palavra
Pra lá vou
Pra lavar
A alma
Pra lhe dar
Prazer

Pedalar pedalar pedalar peladinha

Pêlos
Pelo ar

Pedalar pedalar pedalar

segunda-feira, maio 27, 2013

Também chamados sentimentos Leblon

Tinham aqueles intensos
sentimentos
de puta
que andam
tão caros que eu parei de in
vestir
ou pro
curar.

 não dá nem pra alugar por uma horinha. deve ser culpa da bolha



involuntária.

segunda-feira, maio 06, 2013

Narciso

-Quem é você?
-Como assim?
-Quem é você?
-Eu sou eu, você me conhece.
-Quem é você?
-Gabriela.
-Quem é você?
-Nasci assim, cresci assim.
-Quem é você?
-Uma garota, filha, amiga, atriz, sei lá.
-Quem é você?
-Que coisa chata!
-Quem é você?
-As vezes sou triste.
-Quem é você?
-Mas, na maioria das vezes sou feliz, mesmo que não saibam. Sei disfarçar bem a felicidade.
-Quem é você?
-Você sabe, já disse, para com isso.
-Quem é você?
-Um desejo.
-Quem é você?
-Vários desejos.
-Quem é você?
-Dentro de alguns dias é meu aniversário.
-Quem é você?
-"You may say i`m dreamer, but I`m not the only one."
-Quem é você?
-Morri com John.
-Quem é você?
-Eu sou aquilo que se não for um dia o que já sabe que é, nunca vai ser ninguém.
-Quem é você?
-Uma busca.
-Quem é você?
-O projeto de mim.
-Quem é você?
-Por enquanto, quase ninguém
-Quem é você?
-Signo de touro. Ascendente em sagitário.
-Quem é você?
-Quero me apaixonar.
-Quem é você?
-Já tenho coragem para amar
-Quem é você?
-E de ser amada.
-Quem é você?
-Gabriela. Gabinha, Gábi, Gabi. O que importa? Sou mais que meu nome.
-Quem é você?
-Ou menos?
-Quem é você?
-Um ensaio.
-Quem é você?
-Um universo.
-Quem é você?
-Tenho medo do universo.
-Quem é você?
-Aquela que está escrevendo tudo isso.
-Quem é você?
-O que anseio.
-Quem é você?
-Não sou a Madonna.
-Quem é você?
-Nem o Jack Nicholson.
-Quem é você?
-Uma poeira no espaço e no tempo, assim como Marilyn Monroe.
-Quem é você?
-Deus.
-Quem é você?
-Você e eu ao mesmo tempo.
-Quem é você?
-O meu tempo.
-Quem é você?
-Agora, o fim.


terça-feira, abril 30, 2013

e se diz traído

tava distraído
quando encontrei o amor
sai correndo
atrás dele
dai
tropecei
quebrei os dois dentes
fraturei a cabeça
torci o pulso
quebrei a unha e mordi
a língua
levantei sangrando do queixo
ao joelho


a vida não é um conto de fadas

segunda-feira, abril 22, 2013

inverno astral

adoro frio
espreguiço '
e alguma fumaça sai da caneca
ou da cabeça
pensa-se demais em dias como esse
minha avó mora longe
preciso de algo que me aconchegue
às vezes
desisto dos meus sonhos mas
numa tarde como essa nunca
a tristeza
ah existe
um ponto na minha testa que muda a expressão
de todo meu espírito
ou só do rosto mesmo
adoro parecer excêntrica
mas tenho que consertar a bica da cozinha
está frio o chão
existe uma casa no meio dessa rua
 existem lugares a serem descobertos
mas de baixo da coberta
aonde os sonhos estão tão seguros
é tão mais fácil
corpo quente
quem te quer aqui?
quero, sim, volta.
American Idol e essas músicas bregas
ah merda
to sozinha, a cabeça
só confunde
do pó ao pó de café
esquento meu pé
choro um pouquinho
a noite chegou
quero minha avó
comigo
nunca me acostumei
com o escuro
quero só desabafar
mas tudo desaba
continuo
( ) deitada ( ) desacreditada ( ) desleixada ( ) depravada

adoro frio.

quinta-feira, março 28, 2013

love me tender

um dia houve aquele momento em que sentávamos a beira do mar e esperávamos a lua chegar e prometíamos que iriamos nos levar menos a sério e que agora sim o mundo estava em nossas mãos e nós íamos sair e desabrochar e dançar juntinho e jurar e jurar e jurar que tudo aquilo que vivêssemos juntos ia ser maior e mais especial do que qualquer passado e futuro e o ar era sempre bom e eu queria te respirar sem medo e eu queria tanto e tanto te dizer tanta coisa que eu não dizia evitando a possibilidade daquilo acabar e eu queria somente nos eternizar e acredite nisso que eu só e sempre quis que fosse tudo pra sempre e mesmo que impossível e que a gente risse das mesmas coisas e se odiasse nos mesmos defeitos e que eu te oferecesse café mesmo sabendo que você não gosta de bebidas fortes e você aceitava e aceitava um gole porque era legal e porque você sabia que eu acharia legal e isso é tão importante não é mesmo e interrogações hoje vão e vem que eu nem consigo mais localizá-las e me prendo a tudo que eu sei que existe naquele dia que sentados esperávamos a lua e só isso mesmo e aquele dia também em que how deep is your love tocava e a gente achava lindo demais e ai ouvíamos de novo e de novo e de novo e você cantou pra eu dormir e a gente não dormiu e graças a Deus a gente dormia menos e nossos corpos ecoavam todos os sons daquelas canções bregas e eu que hoje vou dormir sozinha com você aqui tão perto e não consigo entender o que a gente fez de tão errado e porque o que eu sinto continua  aumentando mais e mais e mais e mais e eu sei o que eu quero cada vez menos e não dá tempo pra pedir um tempo e a vida tá jogando mais coisa pra gente nunca parar de pensar e eu prefiro assim só lembrar do que já se foi para adiar a hora de ir e dai nunca mais.

É um grande pesar.

Mais triste do quando a paixão
ou
até mesmo
quando o amor,

é quando o

café

esfria.














nada se compara. nem adianta me comprar bombons ou falar que passa.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

como eu queria que fosse o fim

imagino o fim como uma estrada em que aos poucos vamos desaparecendo nada rápido nem violento estaríamos de mãos dadas as vezes a sós, as vezes não e viveríamos só de lembranças, de adjetivos legais, repetiríamos a mesma música assim como fazíamos no início, inventaríamos novos apelidos, nos abraçaríamos de tempo em tempo. eu imagino o nosso fim ralentado, morreríamos velhos e só ali acabaria. na eternidade da velhice. eu imagino o nosso fim como se fossemos um avô velho numa cadeira de balanço, brincando com a barba branca e comprida, bebendo a sua última taça de vinho branco e PAF! o copo cai no chão, mas ninguém sente a dor dos cortes. acho que deveríamos acabar que nem o oceano. podíamos deixar a cada dia parte de nós em algum canto. um canto que a gente sempre poderá voltar, se isso te deixa mais seguro. poderíamos deixar todos os filmes de uma vida passar diante dos nossos olhos quantas vezes fossem necessárias e dar "stop" para uma última transa. das boas. é, acho que devemos chorar, sofrer um pouco, cada um no seu canto, mas se apertar demais a gente se encontra em algum lugar longe do mundo que a gente vai chamar pra sempre de nosso. a morte não é definitiva, é eterna. nascemos morrendo. morremos um pouco aqui, daqui a pouco morremos mais e entre uma morte e outra, um big mac ou um show do Stevie Wonder em que, my cherie amour, você se entrelaçava todo em minhas mãos. queria que o nosso fim, fosse sentido como um perfume, e que a gente nunca percebesse que o amor aca...

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Católicos tijucanos

Quando eu era pequena, sempre que minha avó salgava o arroz, meu avô dizia:
- Vou jogar essa mulher no lixo!

Eu, afoita e protetora, respondia:
- Se você jogar, eu pego ela de volta!

Quando eu era pequena, sempre que eu derrubava sopa na toalha, meu avô dizia:
- Vou jogar essa menina no lixo!

Minha avó, afoita e protetora, respondia:
-Se você jogar, eu pego ela de volta!

Sempre foi assim na minha família.
Entre a neurose psicótica e a ternura, missas e bons palavrões, continuamos nos dando bem.