quinta-feira, julho 29, 2010

Humilde soneto de inverno

O inverno veio junto com a pele branca.
Tem um que de cafuné de vó e pantufa.
E junto com a sinfonia dos pingos de chuva,
traz alguma lembrança.

É um enredo de calmaria
Que só de pensar, calma, eu ria.

O inverno tem todo o jeito de lembrança
Me lembra aquele lugar que ainda vou conhecer,
Me lembra aquela música de Lou Reed
e aquela outra de nós dois.
Me lembra o livro que eu vou ler
E tudo mais que eu posso deixar pra depois.

segunda-feira, julho 26, 2010

Parede em branco

Fui liberada a escrever na parede do meu quarto e isso soa quase como quando eu beijei pela primeira vez ou como eu penso que seja pegar uma carteira e ver que eu tenho 18 anos e posso fazer o que me der na telha.

Eu fui uma criança que fazia muita zona e birra, pintava o cabelo das barbies, fazia comidinha com papel picado e jogava banco imobiliário sozinha, mas, que nunca escreveu nas paredes de casa. Nem se sentia tentada a isso. Nunca fui incluída naqueles comerciais de TV com crianças brincando na lama ou que precisassem de Biotonico para comer, e muito menos minha mãe foi incluída naquelas mães que precisavam limpar as paredes de seus pequenos Van Goghs .

E hoje, burra velha de dezesseis anos, eu tive uma conversa séria com meu pai sobre “dar vida” as minhas paredes. Ele não deixou, mas, dai eu escrevi umas frases como“Take advantage of the season to take of your overcoat” e “Panis Et Circenses” bem grande e ele falou alguma coisa sobre depois eu vou ter que pintar toda essa merda e acabou liberando.

Agora que eu dei o primeiro passo, estava aqui pensando com os meus borbotões “what the fuck” eu quero botar na parede, se eu não desenho nem um pouco bem e não tenho pretensões de colocar frases minhas, até porque elas são tão passageiras quanto esse minuto agora. E continuo pensando porque não sei ainda o que quero. Só as cores de canetinha que eu quero, mais nada.

Tenho agora uma parede que precisa de significados. – uh, que filosófico, hum - Aceito sugestões.

terça-feira, julho 20, 2010

Palavreado

Eu sei que tem amigo meu que já não aguenta mais os meus lengas-lengas (adoro falar lenga-lenga) de "ah, essa palavra é linda", "Hum, odeio falar mijo", "Galhofa é uma palavra que mostra para o que veio", "Boca só poderia ser chamada de boca". Mas, cara, tem palavras que não deveiram existir, outras deveriam ser mais faladas e isso tem que ser discutido. Vamos às ruas! Ao Planalto central! Vamos gritar bem alto não falem a palavra "fronha" ou "crosta"!
O pior nessa coisa das palavras é quando elas são desnexas, por exemplo: Apaziguar. O significado é muito bonito, mas, coloca isso numa frase, tipo: "Vou apaziguar essa briga", porra, se eu não entendesse o que é apaziguar eu apostaria que é entrar dando tesouradas em todo mundo ou enfiar uma pá guela (outra palavra terrivel) abaixo...
Enfim, tá aqui uma listinha com algumas palavras que eu me peguei analizando:

*Palavras gostosas de se falar com significados tão bons quanto.

- Cuíca (é daquele tipo que mostra para o que veio)
- Jogatina
- Moreno
- Margarina (lembra logo casa de vó)
- Orgasmo (uuum)
- Delicioso (quando falado junto com o sentimento de delicia)
- Felino
- Abacaxi
- Petiscar
- Violeta
- Cochia
- Temporal
- Suspiro (serve para o doce e para o ato de suspirar e me remete a Espirro, que também é bom de se falar)
- Mar
- Castanholas

*Palavras gostosas de se falar com significados não tão gostosos

- Pum
- Besuntar
- Bigode (se for bigode de bicho é mais legal)
- Prolixo (prolixo é uma palavra que parece ser muito maior quando você fala do quando você escreve e ela te dá poder)
- Caralho (um caralho bem dito é tipo um ano de terapia - sem duplos sentidos)
- Flamingo (do bicho mesmo)
- Bosta (melhor até que merda)

* Palavras feiosas

- Fronha (essa é tradicional na categoria palavra feia)
- Pelanca (pelanca é completamente coerente com a sua aplicação, ou seja, tão decadente quanto uma bunda mole)
- Nadega (bumbum, bunda são tão melhores, mais fáceis)
- Gafanhoto
- Canhoto
- Arroto (é muito feio, mas, nenhuma outra palavra poderia ser colocada para denominar arroto)
- Flatulência (pum, né galera, pra que flatulencia?)
- Linfático
- Gargalo (que merda de palavra)

Desculpas por essa perda de tempo e a quem interessou eu aceito mais sugestões...

quinta-feira, julho 15, 2010

Insônia, fidelidade em alta e gostos.

Insônia, insônia, insônia...

Depois de ficar entrando e saindo do facebook, MSN e Orkut. Finalmente, pensei: Opa! Eu aluguei três filmes, seria bom eu tirar a bunda dessa cadeira em frente ao computador. Quem sabe parar de tentar me transformar em mais uma adolescente alienada e tentar preencher meu tempo com um pouquinho de cultura.

Muito bem, muito bem, como eu disse, eu aluguei três filmes: Manhattan do Woody Allen, 500 dias com ela de Marc Webb e Alta Fidelidade de Stephen Frears.
Os filmes que eu peguei tem muito haver com esse momento de vida que eu estou passando, talvez eu possa ser chamada de romântica-depressiva ou integrante do “lonely hearts club band”, coisas nesse gênero. Aluguei-os de propósito, auto-afirmação de sentimento. Tipo um depressivo que ouve Radiohead, um babaca ouvindo Restart ou quando alguém com raiva ouve Metálica... (ok, quando eu estou com raiva costumo quebrar coisas, tipo a minha janela. É sério.)

Melhor dizendo: estou num momento indefinido. Tem alguma coisa haver com relações. Diria que é momento que está cheio de alguma coisa que não sabe bem o que é, mas, quer ir pra algum lugar. Deu pra entender?
Não deu, né? Entre pro clube.

Escolhi  – as 4:30 da madrugada – ver “Alta Fidelidade”. Eu já li o livro, que é do Nick hornby, um dos meus escritores favoritos, e claro, o livro também é um dos meus favoritos.

O filme não mostra muitas coisas que no livro eu considerei importantes, mas, mesmo assim não perde sua graça e não deixou de me envolver.
Até porque os atores estão muito soltos e todos tem química, a trilha sonora é boa, o roteiro engraçado e inteligente e o “meaning” do filme é muito próximo do que eu procuro, penso, sinto e aprendi sobre relacionamentos e homens (uuh, ela já é uma mulher que analisa homens e feelings... I Just try, baby)

Outro ponto forte é que o filme é com John Cusack, que é um charme, um puta ator e que fez um Rob - o protagonista - bem perto daquele que eu imaginei lendo.
Ah, já ia esquecer: a atuação engraçadíssima de Jack Black vale muito a pena também.

Algumas frases do filme estão revirando a minha cabeça como: “Não é o que você gosta, mas, o que você é que realmente importa”
Ok, ok, ok... Mas, você me levaria a sério se eu te falasse que eu curto Latino? Não.
E what about Bjork? No mínimo você vai pensar que eu sou uma Cult mau-humorada, meio depressiva.
Então, eu não curto gente que passa pela vida sem ter ouvido, ou pior sem ter tido o interesse de ouvir “Janis Joplin”, “The Doors” ou “Chico Buarque”... e olha que eu não to exigindo coisas tipo “ouça Edith Piaf”, “sabe aquela banda tcheca...” ou conheça “Bach” e “Mozart”... Eu pego leve.

Mas, sim, você é o que você ouve. E eu não tenho tesão em gente que tem a “playlist” avessa da minha.
Outra coisa, falo isso porque eu sou muito o que eu gosto. Tipo, narcisita do jeito que eu sou, eu só gosto daquilo que de alguma forma eu me identifico. Eu sou a Meryl Streep, o Jack Nicholson, o Tony Ramos, os Cardigans, a Madeleine Peyroux, a Fernanda Young, músicas de Caetano, Mutantes... É isso! Desculpe a decepção, Nick. Aliás, eu sou um pouco você também, meu chapa.

É, e tem cenas não saem da cabeça também:
http://www.youtube.com/watch?v=i8q5wiMYojo
Eu quero que alguém fale algo parecido de mim um dia e dane-se se ele for um idiota egoísta. (quem não é?)

Bem, a conclusão é que eu to aqui, sozinha, ouvindo “Let’s get it on” às 7 da manhã. Pensando e repensando tantas e mesmas coisas.
Um pouquinho mais feliz com Marvie Gaye, claro.

PS: Não vou contar o filme para vocês, se quiserem aluguem e aproveitem ai. Ta aqui a sinopse:
http://www.cineplayers.com/filme.php?id=690

domingo, julho 11, 2010

An education

"I feel old but not very wise" diz Jenny, 16 anos - filme "an education"


"Me sinto velha, mas sem muita sabedoria" diz Gabi, 16 anos - na vida


Ainda bem que é temporário. Já to até ouvindo aquela música "We are young, we run green. Keep our teeth nice and clean. See out friends, see the sights...Feel alright!".

Mentira to ouvindo "It Had to be you" quase chorando com Tony Bennet...
Ó ceus!

quarta-feira, julho 07, 2010

Espelho meu, espelho teu

Ela se olha no espelho.
Seus traços, sua sobrancelha, um olhar...
Só lembram os traços e olhares daquela mulher que ela queria se transformar.

Ela se olha no espelho buscando admiração
Busca, busca, busca...
Ela só olha agora.
Olha vazio.

Olho castanho tão sincero.
Olho castanho tão cansado.

Busca agora na boca, ou melhor, no lábio superior
A verdadeira verdade.
Nos olhos a alma, e na boca?
Na boca a expressão primogênita do corpo?
Na boca só a verdade importa.
Mentiras sinceras também.

E ela ri, ri até as bochechas se formarem melhor, os olhos fecharem um pouco e o nariz ficar meio arrebitadinho.
Ri de que a vaidosa menina?
Ri sem som.
Ri sem ele.

Não.

Chega! Não quer procurar traços nela que lembrem ele!
ah não...
Ela estava fazendo isso desde o princípio.
Aliás, espelho só se tornou importante quando ele a chamou de “bonita”.

Aonde ele achou essa beleza?
Nos olhos, na boca, no queixo ou na pinta?
O olhar procura essa minúcia em todo canto do rosto da garota.
De pose em pose,

A menina à procura de um jeito dela que nele encanta,
Se torna mulher.

sábado, julho 03, 2010

Cora e Carol

Carolina colada
Ao seu livro
Lia os contos
de Cora Coralina
calada por
conta dos contos
De amor incontáveis.

Carol, corada, por querer
Decorar os poemas
com a calma de
criança que sabe
Que contos de amor
Incontáveis
são coisas de uma cara
Poeta, Cora Coralina.


Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. - Cora Coralina