terça-feira, agosto 13, 2013

quase um Gandhi.

Foi na quinta feira da semana retrasada que Julia esqueceu como Hugo andava. Ela esqueceu assim sem nem notar que tinha esquecido e quando foi procurar na memória, assim como quem percebe que falta um botão na  camisa (daqueles que só servem pra enfeitar, perto do pescoço) viu que não tava mais lá. Ele andava, agora, nela da maneira que viesse primeiro. Rápido, lento, manco, sorrateiro. Podia até voar baixo ou ir ligeiro. Ela esqueceu sem mais, nem menos, e até mesmo sua voz não brigava mais em ecoar tão clara. A voz dele tava distante, leve, solta, cantante. Assim mesmo. Julia só lembrava dele cantando, tão bonito... Parecia até o Chico Buarque. Ou seria o Chico Buarque? Não saberia afirmar. Ele agora pra ela estava retomando seu rumo, se tornando quase criança, ficando bem pequenininho. Desde quinta-feira, sem nenhuma explicação, sua sombra mudava a todo instante, tal como o seu sorriso, os dentes e um jeito de olhar. Ela só lembrava de fragmentos, pequenas partes que, olha a sorte!, davam chances dele ser o que quisesse ser. Ele era então mutante, super homem, super frágil, quase um Gandhi, quase um feto. Que a enchia de um amor quase mofado de tão de dentro que vinha. Um amor que vinha do estomago e que sossegava lá, no único lugar que se alimenta de frutos do esquecimento. Ele era cada vez mais dela de tão esquecido e com ela ficaria pra sempre naquela forma cada vez mais deformada de um homem que nunca foi. Do homem que ela nunca teve.


(nota: texto escrito numa madrugada do ano passado, ao som claro de Chet Baker, na folhinha tinham passagens da música "I fall in Love too Easily". Com a autocrítica em vermelho "Muito sentido pra ser bom.".) 

domingo, agosto 04, 2013

Eu te quero só pra mim.

... 

Mesmo 

que

 isso seja um pagode.